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Autor: Armando Pinto
Data de Insercao: 14-06-2010 17:38:00
Assunto: "Intelectuais" de Loriga

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Facebook | Armando Pinto ----------------------------------------------------------- C L ------------------------------------------ Gosto muito de Loriga, a sua linda, muito antiga e histórica terra-natal onde eu já fui algumas vezes, e faz-me impressão essa vossa aversão e repugnância pela vossa história e pelas vossas origens. Isso vê-se pela forma com trataram e continuam a tratar o vosso património histórico e cultural, e nota-se em coisas tão ...simples como o tristemente celebre caso dos vossos símbolos heráldicos, e a repugnância causada pelo antigo nome da vila e pelo vosso ancestral gentílico (e o Armando já o comprovou aqui mesmo apesar de ser um homem com alguma cultura). Incrivelmente, no site da vossa autarquia vê-se, entre outras asneiras, que o vosso gentilico é "loringuense" (???!!!), e que o vosso actual "brasão" é o antigo, que é ilegal e não oficial (como aliás sempre foi e sempre será), e que aquele que será aprovado como legal e oficial é o antigo!... Não compreendo estas coisas e os loricenses/loriguenses que conheço não me sabem explicar porquê!... ---------------------------------------------------- Armando Pinto --------------------------------------------------- Pois... Acontece que não sou de certas modas, para não dizer outra coisa. Antes de mais: se os problemas de Loriga não são o seu brasão nem o seu actual nome – para mim o nome por que sempre conheci a minha terra – bom seria que não se perdesse tempo ou se consumissem energias com o que nada vale e que, por vezes, apenas são do domínio do ridículo. Mas vamos lá. O brasão, o antigo, é ilegal, não respeita as regras da heráldica e o que mais se queira. E aquele que se sugere vai buscar a sua legitimidade onde e foi assumido, formal e democraticamente, por quem? Quem “oficializa” um brasão, já que uma das coisas que se diz é que o antigo não é oficial? Se, em cima do que é sugerido, um criar um outro – com todo o respeito pelas regras da heráldica, em que ficamos depois? Nisto, goste-se ou não, temos uma questão de princípio. O antigo pode ser ilegal, o sugerido tem, pelo menos, uma questão de legitimidade, de intrínseca democraticidade. A questão do nome remete-me para a ridicularia, sobretudo quando se quer fundamentar “Lorica” em pretensas razões históricas. Se isso valesse, Lisboa, na boca ou na pena de certos intelectuais, dever-se-ia hoje chamar o quê? E podíamos ir por aí fora, que mais exemplos haveria para citar. E nisto, da mera ridicularia, temos os esforços de alguns – não sei se não serão os mesmos - em querer que Viriato seja originário de Loriga. Dava jeito, seria mesmo uma nice, e toca de investir nessa: Viriato nascido em Loriga, apesar de os mais estudiosos não conseguirem fixar-lhe, com segurança, o local do seu nascimento. Conheço alguns Viriatos nascidos em Loriga, entre eles os meus Pai. E bastam-me esses. Mas alguns há que com tanta convicção me levam a suspeitar que tenham estado por lá, quando Viriato nasceu. Só que se esqueceram de lavrar o registo do nascimento. E já agora e finalmente: Loriga pode ser uma marca. Tem mérito para isso, pela sua beleza natural, particularmente. Por isso, bom seria que não se brincasse com o seu nome, há muito fixado. E quem, não sendo loriguense, gosta de Loriga, conhece-a por esse nome. E também a eles esse nome basta. -------------------------------------------------------------- C L ------------------------------------------------ Quanto ao nome da sua terra-natal, ninguém questiona o nome Loriga, apenas não se compreende a repugnância causada por Lorica a palavra latina que lhe esteve na origem e que faz com que o senhor também possa ser tratado por loricense (outro termo repugnante para si). Isso sim, é ridículo! Quer gostem ou não a história e a filologia dizem que o antigo nome da sua terra-natal era Lorica! E que me diz do inexistente gentílico "loringuense", que pode ler-se no site da vossa Junta de Freguesia???! E já que deu Lisboa como exemplo, ainda não vi nenhum lisboeta/lisbonense/olisiponense mostrar repugnância pela palavra Olisipo, antigo nome da cidade, nem pelo gentílico ainda usado que lhe está associado! Isso sim, seria ridículo! Quanto a Viriato, como loriguense/loricense devia saber que existe em Loriga a tradição imemorial de este heroi lusitano ter nascido ali, e no século XIII a principal rua da vila já tinha o seu nome. Claro que ninguém sabe onde nasceu Viriato, mas ninguém vê esta incompreensível aversão nas gentes de Folgosinho, de Viseu e de outras localidades onde a mesma tradição existe! Ninguém pode afirmar que Viriato não nasceu numa destas localidades, e até parece que os loricenses/loriguenses não desejam ser conterrâneos dessa grande personagem histórica, estando à espera de serem eliminadas todas as outras hipóteses até restar apenas Loriga, para depois dizerem com má vontade: Está bem, pronto, o homem nasceu aqui!... Ainda a propósito do brasão, temos aí outra triste e ridícula particularidade, não sendo compreensível tanta polémica e tanta má vontade em resolver um problema que tem a ver, não apenas com as leis da República Portuguesa como também com a imagem da própria vila com a qual os seus naturais se deviam preocupar. Para terminar, permita-me expressar a minha enorme decepção pelo facto de o Armando Pinto demonstrar um nível cultural aquém das suas anunciadas habilitações académicas... ---------------------------------------------------------------- Armando Pinto --------------------------------------------------- Antes de mais: pensava eu que isso de “C L... Ver maisófona” pudesse ser coisa bem diferente e apenas isso me levou a aderir ao pedido que me chegou. Enganei-me, confesso. Depois: não aprecio nada polémicas com gente anónima porque o anonimato permite, como é o caso, atrevimentos excessivos. E muitas vezes o anonimato é a indumentária perfeita para gente cobarde cujo rosto gosta de esconder. E começo por referir que o meu oponente passou, como gato passa sobre brasas, por cima do argumento que utilizei sobre a legitimidade que alguém tem ou pode ter para fixar um brasão e o querer impor a uma terra. Como se isto da legitimidade democrática fosse uma questão menor. Se calhar é. Naturalmente que registo o estilo de pezinhos de lã na entrada, o passar a mão pelo pêlo (eu designado então como “um homem com alguma cultura”), para agora o meu oponente anónimo ser obrigado a confessar a sua desilusão por, afinal, estar perante alguém com um nível cultural aquém das suas habilitações académicas. E depois estranha-se que use os termos ridículo e ridicularia a que agora junto o do atrevimento. Na verdade, quem é que credenciou o meu anónimo oponente para que se permita atribuir graus de cultura seja a quem for? E atribui-os em nome de quem? Da república, de alguma academia ou em nome de uma qualquer tribo doméstica? É duro ter que lidar com intelectuais orgânicos, quando a mim basta e sobra o JPP. Então não é que eu deveria saber que no século XXIII – já vi escrito século XII, mas deve ser questão de pormenor - já havia uma rua com o nome de Viriato? E que deveria ter isso como indício de prova de ser Viriato natural de Loriga? Com o mesmo argumento, não me arranja nada de modo a pôr S Ginês a nascer em Loriga? E o nome da bem antiga Rua da Oliveira não daria para que Loriga pudesse ser tida, segundo a vossa tão esmerada argumentação, como pátria do pacifismo? Como por vezes nada como um desenho, aqui fica um. Claro que muitas localidades têm os seus nomes derivados do latim. E aceito Lorica como a designação original numa altura em que a língua, pelo menos a predominante ou a do ocupante, era o latim. Mas não sou tão elitista ao ponto de recusar a terminologia que os ocupados fixaram depois ao longo do tempo. E isto até me faz sugerir que se analise – no plano psiquiátrico – o que pode levar alguém hoje a teimar nas designações dadas pelo ocupante, com recusa das que o ocupado, livremente, decidiu assumir. Porque, ainda quanto a isto, que movimentos conhece para restauração do antigo nome de Lisboa? Até admito que possa haver para isso uma tribo qualquer mas a que se liga menos importância do que a que estou a dar ao meu anónimo oponente. Dizia eu também, no início desde “debate”, que Loriga tem problemas bem mais importantes que o seu nome e o seu brasão. Não há muito, meia dúzia de pessoas, entre as quais eu, andámos a tentar mover influências para a criação de um museu – já existem peças recolhidas – mas esbarrando nalgumas dificuldades: uma autarquia pouco interessada, um Presidente da Câmara que prometia receber e não recebia. Nestas andanças, numa deslocação a Loriga, identifiquei na Fábrica da Redondinha a existência de máquinas e outas utilidades que valeria a pena preservar e que correm o risco de amanhã desaparecerem como aconteceu com tantos que tiveram a sucata como destino. Ora, para quem se arroga de tanta cultura e tanta preocupação pela história e cultura loriguenses, ficam estas sugestões concretas. Dão mais trabalho, talvez não permitam afirmar tanta “erudição”, mas são bem mais úteis. E ponto final. Identificada que está o que é a “Comunidade Lusófona”, cada qual segue o seu caminho. Da minha parte, votos de boa viagem. ----------------------------------------- C L ------------------------------------------------ Não há nada a fazer... Desisto!... Se tivesse uma cabeça e uma mentalidade assim já me tinha suicidado com a vergonha da inutilidade! É inacreditável!... Lido tudo (e visto tudo) não é necessário viajar até ao seu século XXIII para saber que, com este rumo e com loricenses/loriguenses a pensar desta forma, a Rua de Viriato fará parte de um sítio arqueológico onde outrora existia uma vila portuguesa chamada Loriga... Nem haverá ali gente a chamar S.Ginês a S.Gens... Confirma-se cada vêz mais que há mais "turistas", como eu, a preocuparem-se e a gostarem mais daquela linda terra, que os próprios naturais de lá! Esses enveredaram por uma espécie de suicídio colectivo e teimam em manter em funcionamento o dispositivo de auto-destruição de Loriga! Tenho muita pena, gosto muito daquela terra e de alguns loricenses/loriguenses amigos do peito, mas felizmente que não é a minha terra-natal! E fico por aqui...

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